14 de nov de 2006

Coluna 2

2 CPIs em São Paulo

A notícia de hoje é que finalmente a Assembléia Legislativa de São Paulo instalou duas CPIs para investigar o governo Alckmin. Tenho para com meus botões que o período Covas-Alckmin terá sido o mais obscuro do passado recente de São Paulo. Nunca tantos "negócios" estranhos foram perpretados com o silêncio gritante da Alesp. Nunca houve um conjunto de deputados tão inexpressivo, chega a dar vontade de não mais votar para deputado estadual. Agora, no "apagar das luzes" do período da supremacia da direita do PSDB, vem o presidente da assembléia e escolhe as CPIs, que foi obrigado a abrir, pelo critério cronológico, pega as primeiras e pronto. O correto então teria sido pegar as últimas, pois a impunidade já era tamanha que o executivo tinha perdido até a vergonha.



Atestado de boa conduta

A assembléia legislativa vai acabar passando um atestado de boa conduta ao Geraldinho e um certificado de idiotice a todos nós eleitores. É um absurdo o que acontece bem à vista de todos nós e até parece que ninguém vê ou já ninguém mais discorda. O legislativo passou a ser um apêndice do executivo e um caminho para chegar a ele. São quase uma centena de deputados que se alimentam do legislativo para disputarem prefeituras ou mesmo o governo do estado. Como grande parte deles estará do outro lado do balcão no futuro, fizeram da casa do povo a casa da vida fácil, um balcão de negócios dos mais escusos e espúrios, vivendo do conluio com o executivo quando sua função seria a de investigá-lo.




Para que serve um deputado?

Para escolher o presidente da assembléia que o governador quiser. Para votar o orçamento que o governo indicar, em troca de algumas emendas para seus redutos eleitorais. Para escolher os membros do Tribunal de Contas que o governador indicar. Para aprovar as contas do governador após o tribunal que o próprio escolheu já ter aprovado. Para rejeitar as CPIs que a oposição solicitar. E para viajar pelo estado, às custas da assembléia, fazendo sua própria campanha para voltar. E, quando estiver "em plenário", para gastar telefone por conta do cidadão que paga impostos.


Deputado, um ciclo vicioso.

O sujeito se elege uma vez para se eleger várias. Arruma umas boquinhas para seus familiares e amigos, em troca de "fazer parte da base do governo". Indica algum apaniguado para cargo do executivo, preferencialmente cargo que faça pagamentos ou obras, indica "umas obrinhas" para sua "base eleitoral". Acerta com os prefeitos o "custeio da campanha" e pronto, já está apto a voltar na próxima legislatura.




E deputado federal?

A mesma coisa que um estadual, só que mais caro.


Enquanto isso
Diz um amigo meu:

-"Há três tipos de deputado: os do interior, que gostam de comprar apartamentos na capital, os da capital, que gostam de comprar fazendas no interior, e os do exterior." Aí você pergunta: -"Exterior?" e ele responde: -"Os que gostam de apartamentos, fazendas e contas no exterior."

Um comentário:

Atanásio disse...

Mas não são todos assim Bruno, há alguns que são melhorzinhos, todos os outros são bem piores!

Há ladrões, há assassinos, há traficantes, há os que roubam as instituições, os cartolas, há os que roubaram os estados e os municípios, há os que roubam através de igrajas. O que são, perto desses, aqueles que roubam só um pouquinho para se eleger?