1 de dez de 2006

Deu na Carta Capital

SEGURANÇA PÚBLICA

SAULO DE CASTRO DENUNCIADO

No apagar das luzes do ano, o secretário de Segurança Pública é denunciado por desacato e pede licença da promotoria

O ano de 2006 parece estar terminando rápido demais para Saulo de Castro, o ex-blindado secretário de Segurança Pública de São Paulo. Castro, que já foi apelidado “tiranossaulo”, por sua maneira peculiarmente antiquada de exercer o poder, está receoso do futuro.

Teme ser condenado. O Ministério Público protocolou no Tribunal de Justiça do Estado, no dia 8, uma denúncia por crime de desacato. No documento, o secretário é denunciado nove vezes pelo mesmo crime, ocorrido em uma reunião extraordinária na Assembléia Legislativa do Estado, no dia 6 de junho deste ano (na ocasião, seu comportamento foi criticado por CartaCapital).

Saulo foi chamado para prestar esclarecimento sobre as razões da diminuição de recursos para a segurança no Orçamento de 2006 e sobre as medidas adotadas para investigar e punir os responsáveis pelos ataques que o Primeiro Comando da Capital (PCC), à época, organizava por todo o estado. Diante de dezenas de deputados, insinuou, provocou, desdenhou. Tecnicamente, desacatou funcionários públicos no exercício de suas funções com gestos e atitudes ofensivas.

Além disso, a reunião ocorreu em clima tenso, justificado pela ostensiva presença de cerca de 70 policiais militares fardados e armados, que foram à Assembléia em veículos oficiais, e manifestavam-se ruidosamente, em momentos inoportunos, sempre a favor de Castro.

O procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, adversário declarado do secretário de Segurança Pública, é quem assina a denúncia. Agora, cabe ao Tribunal de Justiça decidir se vai aceitá-la, o que deve ocorrer nas próximas semanas. Como integrante do governo, Castro tem foro privilegiado. Mas perderá essa condição em 31 de dezembro. Isso decerto o deixa intranqüilo.

Ciente de que não haverá espaço para ele na equipe do futuro governador José Serra, do PSDB, Castro tenta a todo custo evitar o que seria seu futuro por força da profissão. É promotor licenciado e, findo o mandato como secretário, deveria voltar ao Ministério Público e subordinar-se a Pinho. Tudo o que ele não quer.

Nos corredores circula a notícia, dada como certa, de que Castro já deu entrada em um pedido de licença, de dois anos, da promotoria.

Carta Capital - 29 de Novembro de 2006 - Ano XIII - Número 421

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