4 de jan de 2007

Começou!

Folha de São Paulo, quinta-feira, 04 de janeiro de 2007



Medidas de Serra abalam relação com Alckmin


Ex-governador se irrita com revisão de contratos e pente-fino no funcionalismo



Tucano que martelou o termo "choque de gestão" também fica contrariado com Lembo, que não gostou das novas medidas



CATIA SEABRA
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL



O anúncio de um pacote de medidas de austeridade fiscal para o Estado de São Paulo abalou ainda mais a já estremecida relação do governador José Serra com o antecessor Geraldo Alckmin. A divulgação do ajuste também provocou irritação do ex-governador Cláudio Lembo (PFL), que assumiu o Palácio dos Bandeirantes quando Alckmin se afastou para concorrer à Presidência.



Na platéia da cerimônia de posse de Serra, Alckmin deixou a solenidade contrariado com o anúncio de três medidas: a renegociação de contratos, o recadastramento de funcionários e o pregão eletrônico.



Segundo alckmistas, o ex-governador ficou constrangido por Serra ter ignorado medidas adotadas por ele. O grupo de Alckmin vasculhou arquivos do governo em busca de uma auditoria feita por ele em 2003, revisando contratos e cargos .



Os alckmistas citam um decreto em que "congela" 17 mil cargos de comissão. Alckmin também não teria gostado de Serra ter classificado os decretos como "faxina" nas contas.



Ainda segundo tucanos, Alckmin ficou irritado com o anúncio da obrigatoriedade dos pregões como novidade. A adoção de pregão como fonte de economia de R$ 3 bilhões era uma das vedetes do discurso de campanha, marcada pela promessa do "choque de gestão".



No ano passado, Serra e Alckmin disputaram o direito de concorrer pelo PSDB à Presidência, desgastando sua relação. Hoje, alckmistas encaram essa como uma estratégia de Serra para tirar de Alckmin o rótulo de bom gestor.



Essa interpretação irrita os serristas, segundo os quais o governador não vai comprometer seu estilo de administrar só para não ferir suscetibilidades.



Alckmin também deixou a cerimônia irritado com Lembo que, em sua prestação de contas, nem sequer citou o nome do antecessor, de quem foi vice. Lembo, por sua vez, está chateado com os serristas que apontam indícios de reajuste indevido de valor de contratos no setor de transportes.



Ao falar em recadastramento de servidores, Serra admitiu ainda a possibilidade de existência de funcionários fantasmas na folha do Estado. Ontem, a equipe de Serra trabalhava para apagar os incêndios provocados pela declaração.




Embora o recadastramento esteja a cargo da Secretaria de Fazenda, foi recrutado um político, o secretário de Gestão, Sidney Beraldo, para falar sobre o tema. Diz que o objetivo da medida é "bem maior" do que detectar fantasmas -seria uma tentativa de otimizar a estrutura do Estado.



O secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, engrossou o coro do "deixa-disso", comparando administração a uma "corrida de revezamento". "Por mais que Covas, Alckmin e Lembo tenham avançado, não podemos retroceder. Nossos sucessores também terão de fazer mais", disse o secretário.


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